segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cartografia social: Os povos brasileiros no mapa

 

Tradicionalmente, os censos brasileiros realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classificam a população dentro de cinco categorias étnicas: brancos, pardos, negros, índios e amarelos. É claro que essa metodologia, cujas bases foram introduzidas no país ainda no século 18, tem sua utilidade, mas está longe de refletir a grande diversidade de nosso povo.
A aplicação de uma cartografia social, baseada no conhecimento das muitas comunidades tradicionais espalhadas pelo território nacional, pretende expressar exatamente essa diversidade. Ao dar aos próprios membros desses grupos o poder do mapeamento de seus territórios, a abordagem os coloca no papel de protagonistas de sua própria identidade. Os mapas dessa nova cartografia refletem o entendimento dessas pessoas sobre o próprio território e a relação de sua cultura com esse espaço.
Os mapas dessa nova cartografia refletem o entendimento das pessoas sobre o próprio território e a relação de sua cultura com esse espaço. O principal trabalho desse tipo realizado no Brasil, o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, foi apresentado na terça-feira (24) pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, da Universidade do Estado do Amazonas, em palestra promovida pelo Instituto Ciência Hoje na 64ª Reunião Anual da SBPC.
O pesquisador mostrou alguns dos materiais produzidos pelo projeto, que tem atuado em parceria com comunidades tradicionais – quilombolas, pescadores, ribeirinhos, quebradeiras de coco babaçu, cipozeiros, entre outras – espalhadas pela maioria dos estados brasileiros. O trabalho já gerou cerca de 150 fascículos com mapas sobre diferentes comunidades, além de 15 filmes, 30 livros e 13 exposições.
Almeida vê a cartografia social como um recurso para auxiliar e dar mais precisão ao discurso da etnografia e da antropologia. Suas principais preocupações passam tanto pela compreensão do patrimônio cultural desses povos quanto pela forma como essas pessoas definem suas próprias identidades e territórios.
“O antropólogo Benedict Anderson inclui o mapa, o censo e o museu como três das principais bases para a ideia de nação, ao materializar o território, sua população e sua respectiva cultura”, citou Almeida. “Hoje, o Estado perdeu o monopólio desse mapeamento e temos a oportunidade de promover uma reconstrução dessa nação, de forma menos monolítica, mais complexa e socialmente mais inclusiva, capaz de refletir melhor a diversidade existente.”
Conheçam-se a si mesmos
A criação de todo esse material conta com a participação intensa e decisiva das próprias comunidades mapeadas. Os pesquisadores ensinam a membros escolhidos pela comunidade noções básicas de legislação ambiental e da utilização de GPS e ArcGIS (programa de computador utilizado para produção de mapas). É esse grupo de parceiros que decide o que será mapeado, de acordo com aquilo que sua própria cultura e tradição consideram relevante.
O mapeamento é realizado por eles mesmos, assim como a produção de fotos e vídeos. Os mapas elaborados são, então, aprovados pelas comunidades, que também escolhem as colorações e os ícones personalizados que melhor representem sua visão do território. Um detalhe: segundo Almeida, o mapeamento parte sempre de um convite da comunidade para entender melhor questões locais, nunca é imposto.
O antropólogo destacou que o projeto traz benefícios para as comunidades tanto em aspectos identitários quanto em novas possibilidades para enfrentar a pobreza. “A elaboração desses mapas é uma valorização inédita do conhecimento e da cultura desses grupos e uma prova de que é possível formar bons pesquisadores fora dos grandes centros”, avaliou. “Isso poderá contribuir para modificar a própria comunidade científica nacional e representa uma aplicação do saber tradicional como ferramenta para superar a pobreza.”
“É uma valorização inédita do conhecimento e da cultura desses grupos e uma prova de que é possível formar bons pesquisadores fora dos grandes centros”. Para Almeida, o Brasil está passando por uma transição na valorização das culturas tradicionais. “Ao mesmo tempo em que o governo federal reconhece os povos e comunidades tradicionais, associados ao desenvolvimento sustentável e a uma expectativa de direito territorial, uma portaria publicada neste mês desrespeita diretamente os mesmo direitos territoriais dos indígenas.”
O pesquisador deixou claro que o projeto não pretende ser uma resposta final a essas questões e muito menos um modelo a ser aplicado indefinidamente no Brasil. “Na verdade, nossa iniciativa é um exercício que tem levantado mais indagações do que respostas, mas que tem papel relevante ao promover a problematização da questão territorial e cultural desses grupos”, avaliou.
A diversidade na prática
A questão da territorialidade é aguda em todo o país e envolve mais do que o espaço físico, mas os modos de viver e entender território inerentes a diversas culturas. “Por exemplo, recentemente, comunidades de ribeirinhos do rio Japeri, na região amazônica, perderam sua classificação como pescadores artesanais por também se dedicarem à caça e ao extrativismo; só os pescadores comerciais mantiveram sua autorização para pesca”, pontuou. “Trata-se de uma clara confusão entre identidade e atividade econômica, que descredenciou aqueles que detinham o conhecimento local e afetou a biodiversidade da região.”
A questão torna-se ainda mais complexa pela dificuldade de se estabelecer uma definição para a identidade desses grupos tradicionais. Os povos faxinais, por exemplo, que ocupam o sul do Brasil, são uma mistura de ucranianos, poloneses, italianos, índios e quilombolas que não compartilham a mesma língua e não têm as mesmas crenças, mas enxergam a si mesmos como um povo único. “É preciso entender o critério que liga as pessoas em cada um desses grupos, como são estabelecidos os laços das próprias comunidades”, avaliou.
É preciso entender o critério que liga as pessoas, como são estabelecidos os laços das próprias comunidades. Outros exemplos interessantes são os cerca de 196 mil pomeranos do Brasil, um povo que não existe mais nem em seu continente de origem, a Europa, e a reivindicação da identidade indígena kuntanawa feita por um grupo de seringueiros do Acre. “A formação das identidades dos grupos tradicionais e seus aspectos territoriais são questões complexas e sujeitas a mudanças”, reafirmou. “Por isso, um mapeamento como esse é rico e pode ajudar, inclusive, no estabelecimento de políticas públicas em estados como o próprio Maranhão, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano do país”, concluiu.
Fonte: http://www.geodireito.com/?p=5262

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Turismo virtual na Amazônia


         Desde o início da semana é possível explorar as paisagens da Amazônia através do Google Street View. No dia 19/3 o Google divulgou um vídeo mostrando como foram feitas as imagens na região.
            Segundo uma funcionária do Google, Karin Tuxen-Bettman, o projeto teve início há dois anos e o objetivo é “levar as pessoas conectadas na internet em todo o mundo à Amazônia, para ver a beleza da floresta e a beleza do rio por si próprias”.
Além da floresta e do rio Negro, há também imagens de Tumbira, uma das comunidades da região.

Vista do rio Negro, na Amazônia (Jorge Araújo/Folhapress)
             Outros locais do Brasil já foram explorados pelo Google Street View, como Ouro Preto (MG), São Paulo e Rio de Janeiro.
          O projeto também permite realizar visitas virtuais em diversos museus pelo mundo. É possível conhecer, por exemplo, o acervo do museu Reina Sofia, em Madri, e a National Gallery, em Londres.

O planeta Terra visto lá de cima



              Se você não tem dinheiro ou pique para fazer turismo espacial, pode ter uma palhinha assistindo ao vídeo acima que mostra a Terra vista a 40 mil km de distância.
               As imagens são em “timelapse”, feitas a partir do satélite Eletro-L, que cria uma fotografia de 121 megapixel a cada 30 minutos. Acima, a luz infravermelha aparece laranja e mostra a vegetação.

Mais aqui.

Os lugares mais fotografados do mundo


             Brasil, EUA, França, Japão. Esses são alguns dos lugares mais fotografados no planeta –pelo menos segundo uma identificação feita por uma empresa de tecnologia (Bluemoon, da Estônia) utilizando o site Panoramio, que compartilha fotos de lugares em seu portal.

         
           O “print screen” acima indica com cores os destinos mais ou menos fotografados. Em amarelo estão os mais clicados, e estão inclusos aí a Europa e até parte do Brasil.
          Na cor rosa estão os que tem captação de imagem (e seu devido compartilhamento) mediana. Já aqueles em lilás indicam os de baixa incidência.

                Você pode conferir o mapa com mais detalhes clicando aqui.

Inpe lança plataforma de monitoramento de desastres ambientais


Para o monitoramento e análise de desastres naturais, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lança o TerraMA2, uma plataforma computacional aberta a qualquer usuário interessado em desenvolver seu próprio sistema operacional de riscos ambientais.
Workshop de Lan%C3%A7amento TerraMA2 INPE Inpe lança plataforma de monitoramento de desastres ambientais
Tendo como base o TerraMA2, é possível monitorar qualquer ocorrência a partir de informações disponíveis na internet. Podem ser utilizados dados provenientes de satélites e radares meteorológicos ou ainda modelos de previsões numéricas. Também servem dados de pontos fixos como plataformas de coleta de dados (PCD), sondas, boias, estações e instrumentos geotécnicos.

O usuário pode acompanhar desde incêndios florestais, deslizamentos, enchentes e estiagens, até interrupções na rede de energia por raios e movimentos de marés com ressacas em regiões portuárias, entre outras situações de risco.
Para isso, a plataforma integra serviços geográficos e modelagem, através do acesso em tempo real a dados meteorológicos, climáticos, atmosféricos, hidrológicos, geotécnicos, demográficos, etc. A possibilidade de reunir diferentes bases de informações permite que o TerraMA2 seja usado como plataforma para o monitoramento de ocorrências de vários tipos, como abalos sísmicos, descargas elétricas e até epidemias e homicídios.
Nova versão da plataforma antes chamada de Sismaden, o TerraMA2 é mais um resultado de 25 anos de pesquisa e desenvolvimento do Inpe, com base em inovação, na área de geotecnologias estratégicas. Criador do Spring, o software livre de informação geográfica mais utilizado no Brasil, e de ferramentas como TerraLib, TerraView, TerraAmazon e TerraME, o Instituto desenvolveu o TerraMA2 para atender a uma demanda crescente de aplicações de monitoramento, análise e alerta em diversas áreas.
Webinar TerraMa Inpe MundoGEO Inpe lança plataforma de monitoramento de desastres ambientais




sexta-feira, 6 de julho de 2012

IBGE lança Mapas Municipais Estatísticos do Censo 2010

O IBGE divulgou em 27/06 os Mapas Municipais Estatísticos do Censo Demográfico 2010. A finalidade dos mapas é representar o conjunto de setores censitários urbanos e rurais para cada município brasileiro, além dos limites municipais, distritais e de perímetros urbanos. Eles podem ser utilizados em estudos e projetos  governamentais, referenciamento e dimensionamento de obras públicas e privadas, estudos de evolução de surtos e endemias, de comunicação e de aspectos físicos e culturais da paisagem. Os arquivos estão disponíveis em formato pdf na página ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapas_estatisticos/censo_2010/mapa_municipal_estatistico/.
Os Mapas Municipais Estatísticos foram elaborados por um sistema de mapeamento desenvolvido  especialmente para essa finalidade, que gerencia toda a produção da base territorial a partir da conversão das cartas topográficas de mapeamento em diversas escalas cartográficas, atualizados com imagens orbitais. Os arquivos apresentam os limites e numeração de setores censitários e distritos, informações de cursos de água, localidades e vias de transporte, e dados marginais importantes para a localização geográfica do município no contexto do território nacional. As informações foram atualizadas na fase da pré-coleta do censo demográfico 2010.
Fonte: IBGE

Por que o GPS vai ser indispensável na sua vida?

 
Como a geolocalização pode mudar a forma como utilizamos o GPS?

Os aparelhos GPS vêm conquistando cada vez mais as pessoas, independente da área em que trabalham. Se você nunca usou um destes aparelhos, já deve ter ouvido falar neles. Como a maioria das tecnologias, o sistema de GPS sofreu mudanças e atualizações desde o seu lançamento, em 1973. E a evolução não para.
Não há como negar que um aparelho GPS pode salvar o usuário de situações desagradáveis, como ficar perdido em uma cidade totalmente desconhecida. No entanto, o sistema de posicionamento global pode ser usado para muitas outras atividades além daquela para a qual foi inicialmente criado.
Uma prova disso são os aplicativos que fazem uso de geolocalização. Com eles o usuário pode saber tudo o que está acontecendo à sua volta sem ter que necessariamente sair de casa. A utilização da geolocalização ainda está tímida, mas vem crescendo, e muito, nos últimos tempos.

Aplicativo fazendo uso da geolocalização


Pensando nas diversas aplicações que o sistema de GPS pode ter é difícil imaginar que no futuro ele não estará ainda mais presente no cotidiano das pessoas. Cada dia mais e mais aparelhos com receptores GPS surgem no mercado, sempre trazendo alguma aplicação inovadora.
Já que a tendência é que grande parte das aplicações façam uso da geolocalização de alguma forma, que tal conhecer um pouco mais sobre essa tecnologia, os aplicativos que já existem no mercado e o que esperar para o futuro?


Mas primeiro


Falar sobre geolocalização e GPS é muito legal, mas pode ficar ainda mais interessante se você souber como funciona o sistema de posicionamento global e também qual a diferença entre GPS e geolocalização.


Como funciona o GPS?


O GPS (Global Positioning System - Sistema de Posicionamento Global) é um aparelho que teve sua origem no Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Sua função é a de identificar a localização de um aparelho chamado de receptor GPS, que nada mais é do que um aparelho que mostra sua posição em terra.
Os sistemas de posicionamento global usam a triangulação para determinar a localização de um receptor em terra. A animação abaixo ajuda a entender um pouco melhor como isso funciona.

Um quarto satélite é necessário para determinar a altitude em que o usuário se encontra. Nem todos os receptores GPS exibem esta informação, mas ela é sempre calculada e enviada para o aparelho.


A geolocalização

Você está aqui!O sistema de geolocalização permite que, a partir de um computador que esteja conectado à internet, os aplicativos e serviços saibam a localização geográfica dos usuários.
Essa geolocalização geralmente funciona com a identificação do IP da máquina, que é capaz de informar o país, a cidade e o horário atual de onde você está.
A geolocalização também pode ser utilizada com dados a partir de um endereço MAC, RFID (identificação de radiofrequência), conexão sem fio e coordenadas de um GPS. Vários smartphones utilizam o GPS integrado para enviar as informações de localização.


Prosseguindo


Agora que você já sabe como funciona o sistema GPS e também o que é a geolocalização, que tal conhecer um pouco melhor os aplicativos que fazem uso dessas tecnologias? Confira como a interação entre as pessoas pode ser extremamente útil em algumas situações.


Onde estou?


Existem diversas opções de serviços que permitem ao usuário postar sua localização em redes sociais. Além de dizerem em que canto do mundo você se encontra, essas aplicações são uma verdadeira mão na roda para quem está em um país ou uma cidade que não conhece muito bem.
Onde estou?
Isso porque os usuários que fazem uso desses serviços podem inserir as mais diversas informações a respeito dos pontos turísticos, bares, restaurantes e outros lugares interessantes para se conhecer nas cidades. Além de mensagens, as pessoas também podem postar fotos do lugar.
Não há como negar que pode ser um pouco estranho aceitar sugestões de lugares para visitar dadas por estranhos. Porém, a ideia é justamente fazer com que os próprios usuários insiram o conteúdo dos serviços deste tipo.

O pioneiro e seus sucessores

Foursquare foi, talvez, um dos primeiros serviços online de geolocalização que fez sucesso entre os usuários. A ideia principal do Foursquare é permitir que seus amigos vejam onde você está e enviem sugestões de lugares próximos que podem ser visitados.