segunda-feira, 30 de junho de 2014
Inpe lança portal de previsão do tempo para a Copa do Mundo
O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe/MCTI) lança nesta quinta-feira (12) um portal que mostrará, durante toda a Copa do Mundo, a previsão do tempo nas 12 cidades sede do mundial que começa hoje.
Em tempo real, o público poderá acessar o clima em todas as 12 cidades sede da Copa do mundo e consultar informações sobre temperatura, umidade relativa do ar, direção e intensidade do vento, além de pressão reduzida ao nível médio do mar.
“O portal é uma referência importante para quem precisa de informações meteorológicas porque reúne toda a informação relevante de forma acessível e em um único local”, diz o chefe interino da divisão de operações do Cptec, Waldenio Gambi. Para facilitar a navegação, a ferramenta é oferecida em três idiomas: português, espanhol e inglês.
Segundo Giovanni Dolif, meteorologista do Cptec, o portal também contribui para que haja tempo suficiente para que as ações possam ser tomadas em caso de mudanças climáticas em busca de mitigar os impactos de possíveis eventos meteorológicos”, durante os jogos do mundial em todas as cidades-sede.
Tecnologia
O monitoramento meteorológico é feito pelas redes do Inpe e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
“Para a previsão numérica de tempo há dois modelos regionais de alta-resolução executados duas vezes por dia no supercomputador do Inpe”, explicou Gambi. “O resultado final é uma página que agrega contribuições de várias instituições federais que atuam”.
Para ele, a realização de um evento importante como a Copa do Mundo no Brasil “é uma oportunidade para o Brasil mostrar a capacidade da meteorologia nacional e que o país está avançado no setor”.
Fonte: Raphael Rocha – Ascom do MCTI
FERRAMENTA VIRTUAL AJUDA A INCLUIR FAVELAS NOS MAPAS

Apesar de o Brasil possuir 6.329 favelas, de acordo com dados do IBGE, boa parte delas constituem vazios cartográficos: simplesmente não constam nos mapas (quando muito, apenas o nome da comunidade). Através do Wikimapa, uma ferramenta virtual colaborativa, o Programa Rede Jovem vem inserindo áreas de baixa renda até então excluídas nos mapas. A realidade é retratada pela organização no documentário "Todo mapa tem um discurso"
24 DE JUNHO DE 2014 ÀS 16:54
Favela 247 – O Brasil possui 6.329 favelas, de acordo com o Censo Demográfico – Aglomerados Subnormais de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de serem por muitas vezes superpovoadas, boa parte das favelas não consta nos mapas (ou, quando acontece, são sinalizadas apenas com o nome). Ou seja: são vazios cartográficos. No entanto, trabalhos como os desenvolvidos pelo Programa Rede Jovem, que retratou essa realidade no documentário Todo mapa tem um discurso, lançado em abril, vem tentando reverter a situação, como mostra matéria da Rede Brasil Atual. A organização é responsável pela criação do Wikimapa, ferramenta virtual colaborativa voltada para o mapeamento de pontos de interesse e cartografias de ruas, becos e vielas de comunidades de baixa renda ainda excluídas das representações gráficas oficiais e digitais. Em cinco anos, a tecnologia do Rede Jovem incluiu 11 comunidades no Wikimapa, dez delas no Rio de Janeiro.
“Com relação à ausência dessas comunidades do mapa, a gente remete isso muito ao interesse econômico. Até pouco tempo atrás, não existia nenhum interesse econômico dentro dessas áreas. Hoje, várias empresas querem entrar nas comunidades, querem ter suas lojas e uma representação nestes lugares”, analisa a a antropóloga e diretora estratégica do Programa Rede Jovem, Patrícia Azevedo. A atualização dos mapas é feita através das figuras dos wiki-repórteres, jovens selecionados dentro da favela e capacitados para a utilização e multiplicação do sistema.
Por Xandra Stefanel, da Rede Brasil Atual
A vez do morro
Jovens de comunidades combatem a exclusão simbólica dos mapas oficiais e digitais e se inserem na cartografia das cidades
“A Rocinha é considerada bairro desde 1993, só que quando você olha no Google não tem nenhuma rua registrada, só aquelas ruas da entrada. Não tem a Laboriaux, não tem a rua da Caxopa, ruas tradicionais que todo mundo conhece. A Rocinha é conhecida internacionalmente e não tem nada no Google?”, questiona o jovem jornalista comunitário Michel da Silva, morador desta que é uma das maiores e mais populosas favelas do Brasil, na zona sul do Rio de Janeiro.
Em tempos que as ferramentas de busca pela internet e os sistemas de posicionamento global (ou GPS, da sigla em inglês) fazem cada vez mais parte do cotidiano de milhares de pessoas, o fato de não “existir” no mapa reforça o sentimento de exclusão já bem conhecido das populações carentes. Das 6.329 favelas identificadas pelo Censo Demográfico – Aglomerados Subnormais de 2010, do IBGE, boa parte não consta nos mapas. Ou seja, apesar de serem povoadas, aparecem como vazios cartográficos.
É o que aborda o documentário Todo Mapa tem um Discurso, lançado no final de abril pelo Programa Rede Jovem. A organização, que existe desde 2000 e que usa a tecnologia para fins sociais, criou em 2009 o Wikimapa, um mapa virtual colaborativo voltado para o mapeamento de pontos de interesse e cartografias de ruas, becos e vielas de comunidades de baixa renda ainda excluídas das representações gráficas oficiais e digitais.
“Em 2006, nós começamos a trabalhar integrando internet com o celular porque percebemos que o celular era uma ferramenta que também fazia parte da inclusão digital e que tinha uma capilaridade de uso muito maior que o computador. Conversando com os jovens, começamos a perceber que as ferramentas de geolocalização, principalmente o Google Maps, na maioria das vezes não eram nem conhecidas por quem morava dentro das favelas”, afirma a antropóloga e diretora estratégica do Programa Rede Jovem, Patrícia Azevedo.
Segmentação
Naquela época, já era comum pesquisar endereços e trajetos em sistemas de geolocalização e a equipe do programa começou a questionar as razões que faziam com que os moradores de comunidades carentes não utilizassem este tipo de ferramenta. “A gente chegou à conclusão muito brevemente: a favela não estava representada dentro desses mapas. Eles eram mais um elemento de segmentação, que afastava a favela da cidade e criava outra barreira social para quem morava ali dentro. Nós vimos que todos os mapas que faziam alusão à favela eram mapas do tráfico, da milícia, da criminalidade... Eles destacavam sempre essas regiões a partir de algo negativo”, constata a antropóloga.
Em cinco anos, a tecnologia social criada pelo Rede Jovem incluiu 11 comunidades no Wikimapa, dez delas no Rio de Janeiro e em Capão Redondo, na zona sul da capital paulista. A primeira foi o Morro de Santa Marta, no bairro de Botafogo, onde mora e trabalha o guia turístico Paulinho Otaviano. “O fato de não estar no mapa, para mim, é uma sensação excludente, de que a gente não faz parte da cidade, do roteiro tradicional. É uma coisa que a gente sabe que não é verdade. As favelas estão inseridas neste contexto e existe uma interação. Quem não mora na favela hoje pode subir tranquilo e quem é da favela participa do dia a dia da cidade”, opina Otaviano no documentário.
O objetivo do Wikimapa é dar visibilidade aos potenciais locais e encurtar as distâncias entre a cidade e a favela, afinal, uma faz parte da outra. “Com relação à ausência dessas comunidades do mapa, a gente remete isso muito ao interesse econômico. Até pouco tempo atrás, não existia nenhum interesse econômico dentro dessas áreas, então não havia esforço para mapear essas regiões, o que vem mudando a partir do aumento do poder aquisitivo dos moradores de favela. Hoje, várias empresas querem entrar nas comunidades, querem ter suas lojas e uma representação nestes lugares. Então isso vem mudando desde 2009,” aponta Patrícia.
Além de toda a simbologia de fazer parte do mapa, também tem as questões práticas que podem ser conquistadas a partir da mobilização da sociedade. “É claro que precisa de muita articulação para efetivamente virar nome de rua e entrar nos mapas digitais... É algo muito maior do que o projeto Wikimapa pode alcançar. O documentário foi pensado no intuito de atravessar outras instituições que também têm um trabalho de mapeamento, pesquisadores e profissionais que pensam o território, a relação do espaço com a cidade e os direitos que estar no mapa pode trazer para aqueles moradores. O filme amplia a possibilidade de debate sobre o assunto porque nossa ideia é fazer exibições, promover encontros e discussões mais profundas”, afirma Thaís Inácio, que é uma das diretoras de Todo Mapa tem um Discurso, ao lado de Francine Albernaz. Depois de completado o circuito de exibição e debate, o documentário poderá ser assistido pela internet.
Livre e colaborativo
O uso do prefixo wiki não é por acaso. O termo faz alusão ao uso de software ou aplicativo que permite a criação e edição de documentos na web de forma livre e colaborativa. “A questão wiki está na veia do projeto. A ideia é ser colaborativo, garantir que todo mundo produza conteúdo, insira conteúdo e que isso não passe por uma moderação”, explica a geógrafa e diretora executiva do Programa Rede Jovem, Natalia Aisengart.
Segundo Patrícia Azevedo, o wiki-repórter é selecionado dentro da favela onde mora. “Selecionamos jovens que são articulados, comunicativos, que conhecem bem a comunidade e já têm alguma experiência com trabalhos sociais. Fazemos uma capacitação para que eles não só façam o mapeamento, mas principalmente que multipliquem esse conhecimento, que apresentem o Wikimapa para que outras pessoas também o façam. O wiki-repórter é um multiplicador, mas o sistema é aberto a qualquer pessoa e em qualquer lugar do mundo.”
Os jovens fazem o treinamento e passam seis meses incluindo no mapa ruas, becos, vielas e estabelecimentos que acham significativos dentro de suas comunidades. “A principal mudança que nós vemos com os jovens que trabalham com a gente é a questão da valorização local e a autoestima deles com relação a onde moram. Eles passam a conhecer melhor as comunidades, abordam comerciantes, têm o mapeamento de ruas, procuram saber por que aquela rua recebeu aquele nome. Eles conhecem a história da sua própria comunidade e acabam se deparando com valores históricos e memórias que até então eles não tinham. A identidade, o pertencimento e a autoestima mudam”, garante Patrícia.
Enfim, os jovens percebem que os mapeamentos não são dotados de neutralidade e objetividade. Fica evidente que, quando se inserem no mapa da cidade, o discurso cartográfico (e o sentimento) passa a ser de inclusão.
Para conhecer e inserir comunidades no mapa: www.wikimapa.org.br
Fonte: Brasil 247
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